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Silenciar, nunca mais: Cartilha apoiada pelo Coren-RO orienta profissionais no combate ao assédio moral e à violência verbal

Material didático instrumentaliza trabalhadores e empregadores para reconhecer, prevenir e enfrentar a violência psicológica no ambiente hospitalar

26.05.2026

Ambientes de alta pressão, sobrecarga de trabalho, estresse elevado e dinâmicas hierárquicas rígidas têm tornado os profissionais de saúde cada vez mais vulneráveis à violência psicológica no ambiente hospitalar. Diante dessa realidade, o Conselho Regional de Enfermagem de Rondônia (Coren-RO) traz a público uma importante ferramenta de conscientização e apoio à categoria: a publicação voltada ao combate ao assédio moral e à violência verbal, elaborada pela enfermeira Luciene Carvalho Piedade Almeida. O material tem como objetivo principal instrumentalizar os profissionais da enfermagem e seus empregadores para que, por meio da informação detalhada, possam combater práticas abusivas e promover um clima organizacional saudável, seguro e respeitoso para todos.

Como identificar as práticas abusivas
A publicação conceitua a violência psicológica como o uso proposital do poder para controlar ações, behaviors e decisões de um indivíduo, gerando danos ao seu desenvolvimento mental, físico e social. No contexto hospitalar, essa violência costuma se manifestar de duas formas principais:

Assédio Moral: Caracteriza-se por comportamentos abusivos, repetitivos e sistemáticos que visam humilhar, desvalorizar ou intimidar o trabalhador. Entre os exemplos práticos destacados estão a humilhação pública, o isolamento intencional de projetos, a sobrecarga desproporcional de tarefas inadequadas, o bloqueio de progressão na carreira e a manipulação pelo abuso de poder.
Violência Verbal: Compreende a transgressão das regras verbais por meio de agressões inesperadas ou contínuas. Inclui insultos com palavras de baixo calão, gritos, comentários depreciativos sobre a competência profissional, piadas sarcásticas, boatos e difamações (inclusive em redes sociais) e mensagens ofensivas.
A autora ressalta que essas práticas desencadeiam consequências profundas nas vítimas, que vão desde problemas físicos (como insônia, dores de cabeça e crises gastrointestinais) até transtornos psicológicos severos, como ansiedade, baixa autoestima, depressão e o desejo de abandonar a profissão.

Um chamado para a transformação prática
A construção desse material educativo é fruto de um denso trabalho de pesquisa realizado no estado, focado em dar visibilidade a uma realidade que frequentemente permanece silenciada dentro dos serviços de saúde.

A autora da publicação, enfermeira Luciene Carvalho Piedade Almeida, explica a necessidade de levar essa discussão para dentro dos hospitais rondonienses: “Estudar a violência institucional em Rondônia permitiu dar visibilidade a uma realidade que frequentemente permanece silenciada. No nosso cotidiano, o assédio moral e a violência verbal acabam sendo naturalizados, gerando sofrimento psíquico e desmotivação. A construção desta cartilha representa o compromisso social de gerar transformação prática. Ter um instrumento educativo como esse é fundamental porque, muitas vezes, o trabalhador sofre a violência, mas não consegue nomeá-la ou buscar apoio. A informação fortalece, protege e empodera os profissionais, estimulando uma cultura baseada no respeito e na ética”, afirmou Luciene.

Como denunciar e agir
O guia prático detalha condutas essenciais para as vítimas e também para os colegas que presenciam as agressões. A orientação inicial para quem sofre o assédio inclui garantir a própria segurança se afastando do agressor, buscar apoio emocional com pessoas de confiança, reunir provas (mensagens, áudios, vídeos), manter um registro minucioso de datas e horários, e acionar formalmente o Departamento de Recursos Humanos ou assessoria jurídica. Para as testemunhas, o material orienta acolher a vítima, documentar as evidências em conjunto, acionar as chefias superiores e utilizar os canais oficiais de denúncia, como o Ministério Público do Trabalho (MPT) e os sindicatos da categoria.Por outro lado, o documento também convoca as instituições de saúde a adotarem uma postura de tolerância zero, criando canais de denúncia confidenciais, realizando workshops de conscientização, investigando prontamente os relatos e oferecendo suporte psicológico aos afetados.

Compromisso institucional do Coren-RO
O adoecimento emocional do trabalhador reflete diretamente na qualidade da assistência prestada à população, tornando o combate ao assédio uma pauta de saúde pública. O presidente do Coren-RO, Josué Sicsú, reafirmou o compromisso do Conselho em abraçar essa causa e apoiar os mechanisms de proteção ao trabalhador “O Coren-RO não tolera e não compactua com nenhuma forma de assédio ou violência contra os profissionais de Enfermagem. Um profissional silenciado e psicologicamente abalado pelo assédio não tem condições plenas de exercer o cuidar com a segurança que a sociedade necessita. Apoiar e divulgar este trabalho técnico da enfermeira Luciene é parte do nosso dever institucional de proteger a nossa categoria. Queremos que cada enfermeiro, técnico e auxiliar de Rondônia saiba identificar essas práticas abusivas e tenha a coragem de denunciar. Romper o silêncio é o primeiro passo para construirmos ambientes de trabalho dignos e humanizados”, declarou o presidente Josué Sicsú.

Canais de Denúncia
Se você está vivenciando ou presenciou alguma situação de assédio moral, negligência ou violência no seu ambiente de trabalho, não se cale. O Coren-RO disponibiliza um canal seguro, sigiloso e oficial para que toda a categoria possa formalizar seus relatos. Acesse o formulário eletrônico da Ouvidoria do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-RO) por meio do link ouvidoria.cofen.gov.br/coren-ro/formulario/padrao/ e colabore para que possamos combater ativamente essas irregularidades e proteger os profissionais da saúde em nosso estado.

Leia a cartilha:

Fonte: Ascom / Coren-RO - Luís Marcos

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